Senado aprova aumento de salário de ministros do STF para R$ 39 mil

Senado aprova aumento de salário de ministros do STF para R$ 39 mil

O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (7) o reajuste de salário de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) de R$ 33,7 mil para R$ 39,3 mil.

Foram 41 votos a favor, 16 contra e uma abstenção. O texto depende de sanção do presidente Michel Temer para entrar em vigor.

Em seguida, também foi aprovado aumento no mesmo valor para o procurador-geral da República, em votação simbólica.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que articulou a votação nesta quarta, defendeu o projeto.

“Essa matéria não aumenta despesa. O presidente do STF ligou para mim hoje dizendo que ficasse despreocupado ao votar a matéria, porque há um teto de gastos que não será ultrapassado”, afirmou. “Remanejamento de valores dentro do teto é permitido por lei. Cabe aos poderes aplicar seus recursos dentro do teto na forma que lhes convier. Essa matéria não acrescenta valores ao teto.”

De acordo com cálculo feito pelas consultorias Orçamento da Câmara e do Senado, o impacto anual nas contas públicas pode ser de R$ 4 bilhões. Isso porque o aumento do salário dos magistrados gera efeito cascata, já que o valor da remuneração dos ministros é o limite máximo estipulado para os salários do funcionalismo. Além disso, algumas categorias têm suas remunerações atreladas às dos ministros.

Segundo o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), durante leitura de parecer no plenário da Casa, o presidente do STF, Dias Toffoli, se comprometeu a acabar com o auxílio-moradia. Isso, diz ele, diminuiria o impacto nas contas públicas.

Fonte : Folha de S.Paulo

Decisão do STF pode mudar fiação no Rio

Decisão do STF pode mudar fiação no Rio

Uma decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), publicada em junho deste ano, pode levar a uma reviravolta no caso da fiação aérea que polui visualmente o Rio e, em alguns casos, oferece riscos à população.

Ele negou seguimento a um recurso da Light, que alega a inconstitucionalidade de exigências do Plano Diretor da cidade e de um decreto municipal de 2011. Ambos dão o prazo de cinco anos para que as empresas de energia elétrica, telefonia e TV a cabo transfiram sua fiação para o subsolo carioca.

Para especialistas, com o parecer do ministro, passa a valer a determinação da prefeitura, até então impedida de cobrar das concessionárias o cumprimento do decreto, devido a uma liminar do próprio STF, de 2013.

Questionado sobre o assunto na última quinta-feira, o município ainda considerava a validade da liminar. Sobre a possibilidade de uma mudança de rumos diante da decisão de Lewandowski, a Procuradoria-Geral do Município não se manifestou ontem.

Os emaranhados de fios impõem um desafio à cidade, mesmo em corredores turísticos, como Botafogo e Urca. Hoje, só 15% da rede da Light, por exemplo, são subterrâneos. Em centenas de postes do Rio, cabos de telefonia formam espécies de ninhos com metros de fios pendurados.

Na decisão do ministro Ricardo Lewandowski, ele afirma que “compete aos municípios legislar sobre assuntos de interesse local, respeitada a legislação federal e a estadual”.

A Light — que previa gastos de R$ 20 bilhões para enterrar o cabeamento da cidade — argumenta que a questão da energia elétrica é competência exclusiva da União. Para a empresa, o decreto municipal representa “uma interferência na concessão do serviço”.

Foram esses pressupostos que a concessionária apresentou em seu recurso no STF. Enquanto o processo corria sem julgamento, a ministra Cármen Lúcia deferiu, numa medida cautelar, a liminar que, na prática, suspendia os efeitos do decreto municipal. Para a Light, essa liminar continua em vigor. Em paralelo, a empresa recorreu da decisão de Lewandowski. Segundo o STF, ainda cabe recurso, que pode ser levado, inclusive, ao plenário do tribunal.

Fonte : O Globo

Futuros presidentes de setores do Poder Judiciário tratam de pauta comum contra a crise

Futuros presidentes de setores do Poder Judiciário tratam de pauta comum contra a crise

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Os futuros presidentes do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), João Otávio de Noronha, e do TCU (Tribunal de Contas da União), José Múcio Monteiro, já conversam sobre uma pauta comum das três instituições para fazer frente à crise do país.

Uma das ideias é discutir temas como privilégios do setor público, tentando um alinhamento com as aspirações de austeridade de setores da sociedade.

O ministro Dias Toffoli, por exemplo, já decidiu enviar proposta ao Congresso para acabar com os feriados exclusivos do Judiciário.

Uma outra decisão é tentar evitar choques entre Executivo, Legislativo e Judiciário.

Fonte : Mônica Bérgamo – Folha de S.Paulo

Supremo decide que ações para ressarcir cofres públicos não prescrevem

Supremo decide que ações para ressarcir cofres públicos não prescrevem

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O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu por 6 votos a 5, que ações de ressarcimento ao erário não prescrevem quando o ato de improbidade administrativa que causou o prejuízo tiver sido praticado com dolo (intenção) por agentes públicos ou terceiros.

Isso significa que, mesmo que o tempo passe, o Estado não perde o direito de cobrar do agente o dano causado aos cofres públicos.

Os ministros terminaram de julgar um recurso extraordinário referente a um caso específico de São Paulo que tem repercussão geral (aplicação do entendimento para todos os outros casos).

Segundo o STF, havia 999 ações paradas na Justiça esperando o desfecho desse julgamento.

A posição da corte passou por uma reviravolta. Na semana passada, quando o julgamento começou e foi suspenso por causa do horário, o placar já tinha maioria de seis votos para que as ações de ressarcimento por ato de improbidade prescrevessem em cinco anos.

Os ministros Luís Roberto Barroso e Luiz Fux, que tinham votado desse modo, mudaram de lado, formando a nova maioria no sentido inverso. Ao longo da semana, agentes do Ministério Público deram declarações de que, se vingasse o entendimento de que tais ações prescrevem, o combate à corrupção e a Lava Jato estariam em risco.

O relator do recurso, ministro Alexandre de Moraes, que acabou sendo vencido, considerou que a imprescritibilidade tem caráter excepcional no ordenamento jurídico brasileiro, mesmo na esfera penal, que é mais grave — pela Constituição, destacou, somente os crimes de racismo e de ação de grupos armados contra o Estado Democrático não prescrevem.

“Não seria razoável que, considerando-se as mesmas condutas geradoras tanto de responsabilidade civil como de responsabilidade penal, houvesse imprescritibilidade de uma única sanção [a de ressarcimento] pela prática de um ilícito civil definido como ato de improbidade, e não houvesse na esfera penal, que é de maior gravidade”, disse o relator.

“Nosso ordenamento afasta a imprescritibilidade das ações civis patrimoniais. Como resultado, não deveria ter surgido qualquer dúvida quanto à prescritibilidade de todas as sanções civis por ato de improbidade administrativa, inclusive as de ressarcimento ao erário.”

Para Moraes, esse entendimento não traria prejuízo ao combate à corrupção e à improbidade porque, nas hipóteses graves, que configuram crime, o prazo de prescrição que vale é o previsto no Código Penal. O ministro disse que o que atrapalha o combate à corrupção é a incompetência de quem (promotores e procuradores) não consegue ajuizar as ações no prazo. “Chegou-se ao absurdo de dizer que atrapalha a Lava Jato, para conseguir apoio da imprensa”, criticou.

Moraes foi acompanhado por Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Marco Aurélio.

Edson Fachin abriu a divergência em relação ao relator. “Houve, por escolha do poder constituinte, não apenas o alçamento da boa governança a patamar constitucional, mas da compreensão da coisa pública — não raras vezes tratada com desdém […] — como um compromisso fundamental a ser protegido por todos”, afirmou.

“O comando [constitucional] estabelece como um verdadeiro ideal republicano que a ninguém, ainda que pelo longo transcurso de lapso temporal, é autorizado ilicitamente causar prejuízo ao erário, locupletando-se da coisa pública ao se eximir do dever de ressarci-lo”, disse.

Fachin foi seguido por Rosa Weber, Celso de Mello, Cármen Lúcia, Barroso e Fux.

Ao final, Barroso, que havia mudado de lado, propôs que só não prescrevam as ações de ressarcimento relativas a atos de improbidade praticados com dolo (com a intenção do agente), tese acatada pela maioria que venceu.

Fonte : Folha de S.Paulo

STF libera trabalhador de passar por comissão de conciliação prévia

STF libera trabalhador de passar por comissão de conciliação prévia

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Uma regra antiga da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi analisada nesta semana pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

Por maioria, a Corte confirmou liminares concedidas em 2009 e dispensou os trabalhadores de passar previamente por comissões de conciliação ao entrar com ações trabalhistas.

O tema foi julgado em três ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs nº 2139, 2160 e 2237) na manhã da última quarta-feira. Os dispositivos analisados são anteriores à reforma trabalhista e não foram alterados por ela.

Nas ações, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio (CNTC), Confederação Nacional das Profissões Liberais e os partidos PC do B, PSB, PT e o PDT argumentavam que a regra da CLT representava um limite à liberdade de escolha do trabalhador da via mais conveniente para submeter demandas trabalhistas.

O artigo 625-D obriga o trabalhador a procurar primeiro a conciliação no caso de a demanda trabalhista ocorrer em local que conte com uma comissão, na empresa ou no sindicato da categoria.

Seguindo o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, o STF decidiu dar interpretação conforme a Constituição, afastando a obrigatoriedade do uso das comissões. De acordo com a ministra, a comissão constitui meio legítimo, mas não obrigatório de solução de conflitos.

Fonte : Valor Econômico

Decisão do STF consolida a reforma trabalhista

Decisão do STF consolida a reforma trabalhista

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O Supremo Tribunal Federal confirmou, por 6 votos a 3, a legalidade do fim da cobrança obrigatória do imposto sindical, um dos pilares da reforma trabalhista adotada em 2017.

Os ministros do STF consideraram que a norma é constitucional, ao julgar 19 ações que contestavam esse ponto.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, os sindicatos arrecadaram R$ 1,395 bilhão com a cobrança do imposto no ano passado, enquanto as entidades patronais receberam R$ 545 milhões.

As principais centrais sindicais lamentaram a decisão do STF. Já a Confederação Nacional da Indústria elogiou o aumento da segurança jurídica.

Os ministros consideraram que a norma não desrespeita a Constituição ao julgar 19 ações que questionavam o fim da obrigatoriedade da contribuição. O relator, Edson Fachin, foi voto vencido, acompanhado de Rosa Weber e Dias Toffoli. Votaram contra a exigência da contribuição os ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Marco Aurélio de Mello e Cármen Lúcia, presidente do tribunal. Ricardo Lewandowski e Celso de Mello não estavam presentes.

O ministro Alexandre de Moraes defendeu que não há inconstitucionalidade. Para ele, embora a cobrança tenha se mantido por cerca de 29 anos, o Congresso Nacional “mudou suas caraterísticas privilegiando a liberdade associativa”:

— Se o empregado tem a opção de se filiar ao sindicato, ele também tem a opção de não recolher essa contribuição.

Alexandre de Moraes disse que apenas dois de cada dez trabalhadores se sindicalizam, mostrando um “déficit de representatividade que decorre talvez das facilidades possibilitadas aos sindicatos por uma contribuição sindical compulsória”. Segundo ele, a Constituição permite a contribuição, mas não como obrigatória.

Em seu voto, o ministro Luís Roberto Barroso criticou a quantidade de sindicatos e afirmou que não prestam um bom serviço. Para o ministro, o modelo atual não se presta aos fins a que se destina:

— É modelo que não estimula a representatividade, não estimula os serviços de qualidade. E temos milhares de sindicatos como temos dezenas de partidos, porque o modelo de sindicalismo virou um business privado, um mercado privado. O sistema é bom para sindicalistas, não é bom para os trabalhadores.

Rosa Weber, que tem formação e experiência na área trabalhista, disse que a contribuição é importante para fortalecer os sindicatos em tempos de mudanças na legislação, como o “negociado sobre o legisdores. Ela questionou se é adequado retirar a forma mais segura de renda das entidades sindicais nesse momento.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, as entidades laborais receberam, em 2017, R$ 1,395 bilhão. Os sindicatos dos empregadores receberam R$ 545,399 milhões no mesmo ano.

Fonte : O Globo

Governo presta contas ao STF e atua em outros tribunais para evitar novas greves

Governo presta contas ao STF e atua em outros tribunais para evitar novas greves

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No momento em que a crise desencadeada pelos caminhoneiros começa a arrefecer, o governo Michel Temer faz uma força-tarefa para prestar contas ao STF e convencer outros tribunais a não encorajarem novas paralisações.

Relator no Supremo da ação que autorizou o uso das forças de segurança na liberação de rodovias, o ministro Alexandre de Moraes recebeu, na segunda (28), a advogada-geral da União, Grace Mendonça, o ministro Raul Jungmann (Segurança) e o diretor da PF, Rogério Galloro.

Além de ingressar com a ação, Grace Mendonça foi ao Tribunal Superior do Trabalho defender a proibição da greve dos petroleiros.

A AGU argumenta que a categoria está sob acordo coletivo até agosto do ano que vem e que tem motivação política para instigar paralisação.

Ainda na segunda, Alexandre de Moraes recebeu, em seu gabinete no STF, o comandante do Exército, general Villas Bôas. Há uma preocupação em deixar o ministro a par das ações em curso. A liminar em que ele autorizou o uso de efetivo policial foi um ativo para o Planalto em momento de extrema fragilidade.

Na segunda (28), Grace Mendonça também esteve com a presidente do Supremo, Cármen Lúcia. Ela é uma das poucas integrantes do governo Michel Temer que tem boa relação de fato com a ministra. Pessoas próximas à presidente do STF dizem que ela manifestou profunda preocupação com o quadro nacional. Além de Grace Mendonça, a presidente do STF falou sobre o assunto com Raul Jungmann e com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O ministro Gilmar Mendes tem dito que o levante dos caminhoneiros e a reação da sociedade deveriam estimular a reflexão dos colegas. “Ninguém foi às ruas pedir a ascensão de juízes ou promotores. Eles pediram os militares.”

Gilmar Mendes e o presidente Michel Temer falaram por telefone diversas vezes desde que o levante começou, há 11 dias. O ministro opinou, por exemplo, sobre o decreto editado pelo governo que permitiu a requisição de bens para assegurar o abastecimento em meio à ação paredista.

Fonte : Folha de S.Paulo

STF restringe foro privilegiado

STF restringe foro privilegiado

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O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu ontem restringir o foro privilegiado para deputados e senadores.

Agora, só serão processados na Corte os congressistas investigados por fatos relacionados ao mandato, cometidos durante o exercício do cargo.

A decisão, tomada com os votos de sete dos 11 ministros do tribunal, vai provocar a transferência de inquéritos e ações penais para a primeira instância do Judiciário.

Ainda não há um levantamento de quantos processos serão afetados, até porque muitas situações, segundo o próprio autor da proposta, o ministro Luís Roberto Barroso, continuam em aberto. Ele reconheceu que em alguns casos será difícil definir se o crime cometido durante o mandato tem ou não relação com o exercício do cargo.

Entre os 21 inquéritos com denúncia e ações penais que integram a Lava-Jato e seus desdobramentos no STF, dez devem permanecer na Corte, dez geram dúvidas sobre qual será seu destino e apenas um deve ser baixado.

Após o término do julgamento, ontem, o ministro Barroso afirmou que cada caso terá de ser analisado por seu relator a partir do que foi definido no julgamento. O ministro disse não haver decisão sobre o que ocorre, por exemplo, com deputados e senadores que cometeram crimes em mandatos anteriores e foram reeleitos. Também reconheceu que haverá dificuldade de se fixar o que tem ou não relação direta com o mandato.

— Há muitas situações em aberto. É um princípio geral que estabelecemos. É preciso que venham outros casos com suas peculiaridades para que se possa definir cada situação. Você vai ter certezas negativas (sem ligação com o mandato). Por exemplo, um atrito com um vizinho. E vai ter certezas positivas (ligação com o mandato), como uma propina para aprovar uma medida provisória. Você pode ter situações em que vai ter que fazer reflexões — disse Barroso.

Fonte : Jornal Extra

STF : Execução extrajudicial em contratos do sistema financeiro imobiliário é tema de repercussão geral

fevereiro 22, 2018 por · Comments
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STF : Execução extrajudicial em contratos do sistema financeiro imobiliário é tema de repercussão geral

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“Recurso a ser julgado pelo STF alega que a permissão para que o credor execute o patrimônio sem a participação do Judiciário viola os princípios do devido processo legal, da inafastabilidade da jurisdição, da ampla defesa e do contraditório.

A constitucionalidade da execução extrajudicial nos contratos de mútuo pelo Sistema Financeiro Imobiliário, com alienação fiduciária de imóvel, prevista na Lei 9.514/1997, será analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O tema, objeto do Recurso Extraordinário (RE) 860631, teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do STF.

No caso dos autos – que envolve disputa entre devedor de São Paulo e a Caixa Econômica Federal –, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) entendeu que a execução extrajudicial de título com cláusula de alienação fiduciária com garantia não viola as normas constitucionais, devendo ser apreciado pelo Judiciário apenas se o devedor considerar necessário. Segundo o acórdão, o regime de satisfação da obrigação previsto na Lei 9.514/1997 é diferente dos contratos firmados com garantia hipotecária, pois estabelece que, em caso de descumprimento contratual e decorrido o prazo para quitar a dívida, a propriedade do imóvel é consolidada em nome da credora fiduciária.

No recurso ao STF, o recorrente (devedor) alega que a permissão para que o credor execute o patrimônio sem a participação do Judiciário viola os princípios do devido processo legal, da inafastabilidade da jurisdição, da ampla defesa e do contraditório, representando uma forma de autotutela “repudiada pelo Estado Democrático de Direito”. Sustenta a inconstitucionalidade da execução extrajudicial e a compara com o procedimento previsto no Decreto-Lei 70/1966, que trata dos contratos com garantia hipotecária, e está pendente de análise pelo STF no RE 627106.
Relator
O relator do recurso, ministro Luiz Fux, observa que a questão, além de sua densidade constitucional, transcende os interesses subjetivos das partes, tendo relevância do ponto de vista econômico, jurídico e social para milhões de mutuários. O ministro salientou que os contratos firmados pelo Sistema Financeiro Imobiliário são produzidos em massa em todo o país, enquanto os juros praticados, inclusive em programas sociais de incentivo à moradia, são estabelecidos em plena consonância com os riscos decorrentes da inadimplência e com o tempo estimado para reaver imóveis nessa situação.

“Há necessidade de posicionamento desta Suprema Corte no que concerne à matéria sub examine, a fim de se garantir segurança jurídica aos contratantes e maior estabilidade às relações jurídicas no mercado imobiliário nacional, tudo a influenciar políticas governamentais de incentivo à moradia”, afirmou.

O relator destacou que, embora a discussão seja sobre a constitucionalidade da execução extrajudicial em contratos imobiliários, a matéria tratada nos autos não se assemelha à do RE 627106. Ele esclarece que naquele caso discute-se a recepção constitucional do Decreto-Lei 70/1966, que prevê a execução extrajudicial para dívidas contraídas no regime do Sistema Financeiro Habitacional, com garantia hipotecária, situação diversa da presente demanda, cujo objeto é a constitucionalidade da Lei 9.514/1997, que prevê a possibilidade de execução extrajudicial nos contratos de mútuo pelo Sistema Financeiro Imobiliário, com alienação fiduciária de imóvel.

Nessa última modalidade de contrato, observa o ministro, não há transmissão da propriedade ao devedor, apenas a transferência da posse direta do bem. Isso significa que o credor fiduciário não se imiscui no patrimônio do devedor para excutir bem de propriedade alheia, pois o imóvel permanece sob propriedade da instituição financeira até a quitação do contrato pela outra parte, “o que se traduz em diferença substancial entre as relações jurídicas de hipoteca e de alienação fiduciária para a finalidade de análise à luz dos princípios constitucionais invocados”.

A manifestação no relator no sentido da existência de repercussão geral foi tomada por maioria, no Plenário Virtual do STF. Ficou vencido o ministro Edson Fachin.”

Fonte: STF

STF iguala casamento e união estável para heranças

STF iguala casamento e união estável para heranças

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Por maioria, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira, 10, que as uniões estáveis – de casais heterossexuais e homossexuais – têm o mesmo regime de herança dos casamentos.

Ao julgar dois casos de repercussão geral, os ministros firmaram o entendimento de que é inconstitucional a distinção de regimes sucessórios prevista no Código de Processo Civil. Para preservar a segurança jurídica, o julgamento não desconstituirá partilhas julgadas ou acordadas por escritura pública.

Um dos processos dizia respeito a uma união homoafetiva que durou 40 anos. Um motorista de Porto Alegre recorreu ao STF depois de o Tribunal de Justiça gaúcho conceder apenas um terço da herança do companheiro. Na disputa pela partilha de bens com a mãe do falecido, o motorista pediu que fosse aplicado o previsto para a herança de cônjuges – 50% para o marido e 50% para a mãe, no caso.

No entanto, o TJ-RS recorreu a um artigo do Código de Processo Civil referente à herança de uniões estáveis – dispositivo que foi considerado inconstitucional pelos ministros do STF. “O artigo 1.790 é, em última análise, inconstitucional porque viola os princípios constitucionais da igualdade e da dignidade da pessoa humana. Essa é uma questão de segurança jurídica, e não do casamento ser hierarquicamente superior à união estável”, disse o ministro Luís Roberto Barroso, que abriu a divergência.

O ministro Luís Roberto Barroso foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Rosa Weber e pela presidente do STF, Cármen Lúcia.

Em sentido contrário se posicionaram os ministros Ricardo Lewandowski e o relator do processo, ministro Marco Aurélio Mello.

“A Constituição não equaliza regimes que dizem respeito a institutos diferentes. Entender de modo diverso, igualando casamento e união estável, em especial no tocante ao direito sucessório, significa, além do prejuízo para os sucessores, desrespeitar a autonomia do casal, quando da opção entre os institutos”, disse Marco Aurélio. “Não cabe ao Judiciário, após a escolha legítima pelos particulares, sabedores das consequências, suprimir a manifestação de vontade com equiparações.”

Mesmo reconhecendo que casamento e união estável são institutos diversos, o ministro Alexandre de Moraes frisou que o centro da questão é a “proteção à família”. “Não me parece estarmos respeitando nem a igualdade muito menos a solidariedade ao privar um companheiro de aproximadamente 40 anos de convívio, privá-lo do que seria o seu direito, o seu quinhão na herança, tão somente por não ter o papel passado, o casamento por papel.”

Na sessão plenária, os ministros também concluíram um outro julgamento de questão semelhante, mas que girava em torno de um casal que manteve uma união estável por nove anos. Em agosto de 2016, já havia sido formada maioria no STF para que uniões estáveis de casais heterossexuais tivessem a mesma regra de herança de casamentos. Ao concluir o julgamento dos dois casos, o STF estendeu agora o entendimento para as uniões homoafetivas.

Instrumento ainda pouco conhecido, o contrato de namoro pode ganhar força no meio jurídico com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O acordo, que pode ser firmado em cartório pelos próprios interessados, consiste em reconhecer que a relação estabelecida não tem a finalidade de constituir família. Assim, protegeria o patrimônio de cada uma das partes em caso de uma eventual disputa por herança.

Segundo especialistas, é mais comum esse tipo de dispositivo ser procurado por jovens herdeiros de grandes fortunas ou pessoas mais velhas, que já tenham passado por separação.

Para Pedro Boueri, do Veirano Advogados, a decisão da Corte fará com que muitos processos de disputa por herança que tramitam há anos na Justiça voltem à estaca zero. “O contrato de namoro poderia ganhar projeção como um instrumento de proteção.”

Já para Samir Choaib, do Choaib, Paiva e Justo Advogados, a questão é mais complexa e envolve a maneira como o casal se apresenta socialmente. “Mesmo uma foto em uma rede social poderia ser uma comprovação da união estável.”

Fonte : O Estado de S.Paulo

 

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