Avança discussão para mudanças na rotulagem

novembro 30, 2017 por · Comments
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Avança discussão para mudanças na rotulagem

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Representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, e associações de indústrias e consumidores vão se reunir em dezembro para discutir modelos de rotulagem de alimentos.

A expectativa é que a Anvisa abra uma consulta pública sobre o tema no início de 2018 e defina um novo modelo ainda no primeiro semestre do do ano que vem, de acordo com pessoas a par das discussões.

As regras de rotulagem de alimentos embalados foram adotadas no país há dez anos ou mais. Desde então houve mudanças no padrão de alimentação e na oferta de alimentos industrializados.

Ao mesmo tempo, houve piora na saúde dos brasileiros. De acordo o Ministério da Saúde, entre 2006 e 2016, o percentual de obesos no país passou de 11,8% para 18,9%. O ministério considera a obesidade um dos causadores do aumento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão.

O diagnóstico de diabetes passou de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016, e o de hipertensão passou de 22,5% para 25,7% no mesmo intervalo. Para o Ministério da Saúde, mudanças na alimentação e atividades físicas vão contribuir para melhorar esse quadro.

A Anvisa discute desde 2014 propostas para mudar as normas de rotulagem de alimentos. O objetivo é que os consumidores se informem melhor e façam escolhas mais saudáveis de nutrição.

Existem quatro modelos de rotulagem em avaliação : um encabeçado pela a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia); um elaborado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed); um criado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec); e um modelo desenvolvido pela Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan) com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

O modelo defendido pela Abia destaca na frente da embalagem dados de valor energético, açúcares totais, gorduras saturadas e sódio por porção de alimento.

A rotulagem usa cores de semáforo (verde, amarela e vermelha) para indicar se o nível de cada componente é alto, baixo, ou moderado.

Esse modelo também é apoiado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir) e mais 15 entidades. Daniella Cunha, diretora de relações institucionais da Abia, disse que o modelo já foi adotado com êxito no Reino Unido.

“Queremos uma legislação que estabeleça uma rotulagem fácil e inteligível e que não assuste o consumidor”, disse Edmundo Klotz, presidente da Abia. Para Alexandre Jobim, presidente da Abir, o modelo de semáforo ajuda o consumidor a fazer escolhas rapidamente.

A pedido da indústria, o Ibope apresentou a 2.002 brasileiros os modelos em discussão. De acordo com a pesquisa, 67% dos entrevistados consideraram o modelo defendido pela Abia mais didático.

O modelo defendido pela Funed também usa as cores do semáforo para indicar se o teor dos ingredientes está acima ou abaixo do recomendado para consumo diário. Como diferencial, esse modelo destaca em um círculo vermelho os ingredientes em quantidade excessiva. “Esse modelo é baseado em advertência, o que não acontece no modelo proposto pela Abia”.

A proposta da Funed também estabelece uma tabela com quantidades por porção de calorias, carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra e sódio. A Funed defende a inclusão dessas informações na frente da embalagem.

O modelo desenvolvido pelo Idec, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e outras 19 entidades, é mais simples. Consiste de triângulos pretos, informando se o produto tem quantidades excessivas de ingredientes como açúcares, sódio ou gorduras.

Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Idec, disse considerar que as embalagens de alimentos industrializados já são muito coloridas para atrair o consumidor, e o semáforo não teria destaque. “Adotamos um formato que a população já entende como um símbolo de advertência”, disse.

Segundo Ana, o modelo também estabelece a inclusão na embalagem da tabela nutricional por 100 gramas, para que o consumidor possa escolher entre produtos diferentes. “Se um produto tem na embalagem dois itens em verde e dois em amarelo e outro produto tem três itens em verde e um em vermelho, qual deles é o melhor ? Não dá para fazer uma escolha automática”.

Outro modelo em avaliação, já adotado no Chile, é defendido pela Opas e a Caisan. O modelo prevê advertências na frente das embalagens, de diversos ingredientes, incluindo aditivos e edulcorantes. O formato para destacar a informação é um octógono preto.

Fonte : Valor Econômico