Atraso nas entregas continua

Atraso nas entregas continua

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A greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio, que provocou o fechamento de estradas e uma crise de desabastecimento de combustíveis e de alimentos em todo o país, ainda está tendo reflexos nas entregas de encomendas feitas pela internet.

Há vários casos em que o produto ainda não chegou às mãos do comprador, embora entidades, empresas e os Correios garantam que a situação está praticamente normalizada.

De acordo com a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (AB Comm), durante a paralisação, cerca de 1,5 milhão de encomendas ficaram presas nos depósitos das transportadoras e outro 1,5 milhão ficou parado embarcado, dentro de caminhões.

O funcionário público Marcos Costa da Rocha é uma das pessoas prejudicadas. Ele está improvisando suas refeições no microondas e em uma fritadeira elétrica porque o fogão comprado no site da Consul no dia 22 de maio, um dia após a decretação da greve, não foi entregue até agora. Oito dias depois, após a confirmação do pedido e a aprovação do pagamento, Rocha recebeu um e-mail onde a empresa admitindo que a entrega poderia “sofrer atrasos” devido ao movimento dos caminhoneiros.

— O sentimento que fica é de imensa frustração. Ao ligar reclamando, me disseram que não havia previsão de emissão da nota fiscal, e muito menos da entrega. Finalmente, me prometeram que o fogão chegaria esta semana. Vamos aguardar para ver se vão cumprir a promessa — diz Rocha.

Procurada, a Consul confirmou que a a entrega do produto está prevista para esta segunda-feira, e informa que o valor do frete será estornado ao consumidor. A empresa esclarece, ainda, que investe constantemente em melhorias de seus produtos e serviços, e que este foi um caso isolado.

Gastão Mattos, coordenador do Comitê de Varejo on-line e ex-presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net), reconhece que a entrega foi afetada na origem, principalmente na parte de logística, tanto para os pedidos feitos nos dias anteriores como os realizados durante a paralisação. Segundo ele, o impacto só não foi maior porque a demanda inicial diminuiu, pois não ser um período de sazonalidade agressiva.

Análise feita pela Netquest, empresa especializada em pesquisas on-line, a pedido da Câmara e-net, mostra que de 21 a 30 de maio, houve uma queda de 3,6% nos pedidos e de 0,5% nas visitas aos sites:

— Se fosse final de abril ou primeira semana de maio, o impacto certamente seria muito maior, até porque a demanda estaria aquecida por causa do Dia das Mães.

Os Correios, por sua vez, admitiram B que, apesar das ações de contingência adotadas durante a greve, houve impacto significativo no transporte de correspondência e de encomendas, ocasionando um acúmulo equivalente a quatro dias de entregas em seus principais terminais.

Também houve contingenciamento em algumas unidades de distribuição por falta de combustível para motos e veículos, ocasionando a suspensão de prazos e de postagens para alguns os serviços como telegrama e Sedex. Em alguns postos faltavam, inclusive, caixas e até fitas adesivas para a devolução de produtos.

A reposição de insumos só deve ser normalizada em julho. A empresa, no entanto, diz que desde o dia 6 deste mês foram retomadas as postagens dos serviços com dia e hora marcados, como o Sedex, assim como, os prazos de entrega para todas as modalidades de postagens.

Para o presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, Maurício Salvador, os consumidores devem entender que os atrasos ocorreram por motivos de forças que fogem do controle das lojas virtuais. Ele acrescentou que a maioria das lojas informou em seus sites que as entregas poderiam atrasar, e que os avisos foram mantidos após o fim da greve. Outras enviaram e-mails para comunicar o rastreamento das entregas.

Fátima Lemos, assessora B técnica do Procon-SP, ressalta que a partir do momento em que houve o descumprimento do prazo acertado, o comprador tem direito de cancelar. E dependendo do produto, se o prejuízo for muito evidente, como é o caso de um fogão, o consumidor pode entrar com ação judicial por dano moral.

— O fornecedor tem que entregar no prazo em que se comprometeu a fazê-lo. Caso não possa cumpri-lo, deve entrar em contato e negociar nova data. Cabe ao consumidor decidir se aceita ou não.

Segundo Fátima Lemos, os problemas de entrega ainda são muito significativos, independentemente de ter havido greve, e as empresas ainda estão devendo uma qualidade melhor de atendimento, de informação e de solução dos casos :

— Além de não receber o produto, o consumidor é que tem que acionar a empresa, porque sequer recebe satisfação. E pior : ainda tem dificuldade de cancelar o pedido e receber o dinheiro de volta.

A artesã Ana Paula Siciliano ainda aguarda a entrega dos 12 pacotes de fraldas comprados pelo site do Extra, um dia antes de decretada a greve. O prazo de entrega era de 11 dias úteis :

— Na quarta-feira, mandaram um e-mail dizendo que estava em rota de entrega, mas sem explicar o motivo.

A Via Varejo, detentora do site do Extra, não comentou.

— O comprador que quiser cancelar a compra e pedir seu dinheiro de volta deve entrar em contato com a loja. Os que tiverem mais paciência para aguardar devem cobrar das lojas a informação atualizada sobre o rastreamento do pedido e um prazo exato para a entrega — orienta Maurício Salvador.

Fonte : Jornal Extra