Decisão do STF consolida a reforma trabalhista

Decisão do STF consolida a reforma trabalhista

stfreforma

O Supremo Tribunal Federal confirmou, por 6 votos a 3, a legalidade do fim da cobrança obrigatória do imposto sindical, um dos pilares da reforma trabalhista adotada em 2017.

Os ministros do STF consideraram que a norma é constitucional, ao julgar 19 ações que contestavam esse ponto.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, os sindicatos arrecadaram R$ 1,395 bilhão com a cobrança do imposto no ano passado, enquanto as entidades patronais receberam R$ 545 milhões.

As principais centrais sindicais lamentaram a decisão do STF. Já a Confederação Nacional da Indústria elogiou o aumento da segurança jurídica.

Os ministros consideraram que a norma não desrespeita a Constituição ao julgar 19 ações que questionavam o fim da obrigatoriedade da contribuição. O relator, Edson Fachin, foi voto vencido, acompanhado de Rosa Weber e Dias Toffoli. Votaram contra a exigência da contribuição os ministros Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Marco Aurélio de Mello e Cármen Lúcia, presidente do tribunal. Ricardo Lewandowski e Celso de Mello não estavam presentes.

O ministro Alexandre de Moraes defendeu que não há inconstitucionalidade. Para ele, embora a cobrança tenha se mantido por cerca de 29 anos, o Congresso Nacional “mudou suas caraterísticas privilegiando a liberdade associativa”:

— Se o empregado tem a opção de se filiar ao sindicato, ele também tem a opção de não recolher essa contribuição.

Alexandre de Moraes disse que apenas dois de cada dez trabalhadores se sindicalizam, mostrando um “déficit de representatividade que decorre talvez das facilidades possibilitadas aos sindicatos por uma contribuição sindical compulsória”. Segundo ele, a Constituição permite a contribuição, mas não como obrigatória.

Em seu voto, o ministro Luís Roberto Barroso criticou a quantidade de sindicatos e afirmou que não prestam um bom serviço. Para o ministro, o modelo atual não se presta aos fins a que se destina:

— É modelo que não estimula a representatividade, não estimula os serviços de qualidade. E temos milhares de sindicatos como temos dezenas de partidos, porque o modelo de sindicalismo virou um business privado, um mercado privado. O sistema é bom para sindicalistas, não é bom para os trabalhadores.

Rosa Weber, que tem formação e experiência na área trabalhista, disse que a contribuição é importante para fortalecer os sindicatos em tempos de mudanças na legislação, como o “negociado sobre o legisdores. Ela questionou se é adequado retirar a forma mais segura de renda das entidades sindicais nesse momento.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, as entidades laborais receberam, em 2017, R$ 1,395 bilhão. Os sindicatos dos empregadores receberam R$ 545,399 milhões no mesmo ano.

Fonte : O Globo