Cobrança extorsiva por estacionamento e camelôs em profusão assustam turistas no Rio de Janeiro

Cobrança extorsiva por estacionamento e camelôs em profusão assustam turistas no Rio de Janeiro

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O recorde de ocupação dos hotéis tem se tornado frequente no Rio de Janeiro durante eventos como carnaval e réveillon. O empenho mostrado ao atrair os turistas, no entanto, não é o mesmo que se vê na hora de receber os visitantes. E é nos principais cartões-postais que a cidade tem se mostrado uma péssima anfitriã. Nem mesmo o encanto pelas lindas paisagens consegue superar a invasão de ambulantes e o assédio de flanelinhas.

Nos acessos ao Corcovado, por exemplo, um dos destinos mais procurados por estrangeiros, vagas de estacionamento são oferecidas a R$ 50 por guardadores clandestinos e funcionários terceirizados da empresa que faz o receptivo no ponto turístico.

Em Copacabana, outro cenário sempre presente na lista de quem vem ao Rio, um camelódromo cobre o charme das pedras portuguesas do calçadão reconhecido mundialmente.

No início da tarde da última terça-feira chovia muito, e o movimento no Corcovado era pequeno. Nas Paineiras, uma equipe do GLOBO chega de carro à área de embarque e desembarque para táxis e veículos particulares e de turismo. A partir daquele ponto, só é possível seguir em vans da concessionária Paineiras Corcovado, autorizadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Um operador de trânsito uniformizado se aproxima e oferece vaga por R$ 20 perto dali, sem limite de tempo. Questionado se o estacionamento era regular e se não havia risco de multa, respondeu com firmeza : “Somos nós que comandamos aqui”.

Nas Paineiras, mototaxistas também ditam regras e cobram R$ 20 para “dar carona” a motoristas que estacionam longe do ponto de embarque das vans. Na região, também há carros particulares oferecendo transporte, apesar de esse tipo de serviço ser proibido. Uma corrida do Corcovado a Copacabana custa R$ 70. A desordem na região é tanta que um operador de trânsito cobrou R$ 50 para permitir o desembarque de um turista chileno cadeirante, numa área onde ele tinha autorização para descer do carro. A mulher do estrangeiro gritou, indignada :

— Isso é uma vergonha para a cidade. No acesso ao Trem do Corcovado, a falta de controle é a mesma. Flanelinhas cobram R$ 30 por vagas de estacionamento, e ambulantes abordam turistas livremente.

Em Copacabana, principal área hoteleira da cidade, os camelôs proliferam. Ao anoitecer, colocam suas mercadorias dos dois lados do calçadão da orla, formando um corredor e deixando turistas e cariocas sem espaço para caminhar, principalmente entre as ruas Xavier da Silveira e Barão de Ipanema. Eles vendem de tudo, de churrasquinho a acessórios para animais.

— Estive aqui há cinco anos, e a situação era bem diferente. A quantidade de vendedor na calçada me surpreendeu — disse a paulista Georgina Siqueira.

Presidente da Associação de Moradores de Copacabana (Amacopa), Tony Teixeira diz que já reclamou do problema na prefeitura, em dezembro :

— No principal palco do Brasil, você esbarra com uma porção gigantesca de pessoas vendendo coisas de um lado a outro. Fica muito desorganizado, rude e dá uma visão total de terceiro mundo.

Os ambulantes explicam que o trabalho nas ruas é um reflexo da crise.

— Muitos ficaram desempregados, e esse é o nosso ganha-pão — diz uma vendedora, que pediu para não ser identificada.

A falta de fiscalização também transformou o Centro do Rio em território livre para irregularidades. Na Lapa, a Escadaria Selarón, muito procurada por turistas, está tomada de ambulantes. Na Praça Mauá, em frente ao Museu do Amanhã, a quantidade de carrocinhas também é grande. Muitos transportam suas mercadorias em triciclos e, assim, percorrem toda a Orla Conde oferecendo seus produtos, sem fiscalização. Nos arredores do Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro, além de ambulantes, cinco homens lavam carros na rua, sem serem importunados.

No entorno do Pão de Açúcar, as vagas de estacionamento têm sido ocupadas por carros que vendem quentinhas e lanches. Na hora do almoço tem até fila de espera. Os chilenos Alejandro Hernandez e Loreto Marcondes, que optaram pelo milho cozido, não se importaram com a bagunça no cartão-postal.

— Lá no Chile também tem muito disso — afirma Alejandro.

A desordem e a falta de fiscalização no entorno de pontos turísticos preocupam o presidente da Associação de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ), Alfredo Lopes. Para ele, a cidade vive um momento de “balbúrdia e descontrole” :

— Necessitamos de líderes que coloquem ordem na casa. Crise não é desculpa para “oferecer” o espaço público. Além da desordem, a cidade ainda está enfrentando problemas de segurança e a febre amarela. Apesar de tudo isso, o Rio parece inoxidável. No carnaval, devemos bater 90% de ocupação dos hotéis na Zona Sul, e 85% na Barra.

Presidente da Associação de Agentes de Viagem do Rio (Abav-RJ), Cristina Fritsch diz que a desordem só faz aumentar :

— É lamentável que os turistas encontrem esta situação.

Questionada sobre os problemas encontrados no Cristo Redentor, a concessionária Paineiras-Corcovado informou, por e-mail, que adotará “medidas rigorosas para coibir” as irregularidades e que a empresa terceirizada que presta o serviço deverá ser substituída. A empresa alega que “não tem poder de polícia ou fiscalizador para combater práticas de estacionamento e transporte irregulares”.

Apesar das irregularidades encontradas pela reportagem, a Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) afirma que a prefeitura e polícia fizeram operação no local no dia 25 de janeiro, e uma nova ação está sendo programada para a região. Sobre os mototáxis, a Secretaria municipal de Transportes diz que o serviço está sendo implementado, e só quem recebeu uma carteirinha na gestão passada pode atuar no local.

A Seop informou ainda que as ações para coibir o comércio ambulante irregular em Copacabana estão inseridas na operação Rio + Seguro, projeto que associa planejamento, inteligência e tecnologia na prevenção à desordem urbana e aos pequenos delitos.

Presidente da Riotur, Marcelo Alves ressalta que há sinergia entre a empresa e a Guarda Municipal para o combate as irregularidades :

— A cidade vive uma crise econômica muito grande. As pessoas recorrem ao comércio ilegal para sobreviver. A Guarda Municipal tenta coibir ao máximo, dentro do efetivo que ela tem.

Fonte : O Globo

Lista do que pode ser vendido por ambulantes é ampliada

Lista do que pode ser vendido por ambulantes é ampliada

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A proposta de atualização da Lei dos Ambulantes, de 1992, foi aprovada, em definitivo, na tarde de ontem, pela Câmara Municipal do Rio.

Foram 33 votos favoráveis e nenhum contrário. Uma das mudanças é a ampliação dos tipos de mercadorias que poderão ser comercializadas e a retirada de outras que já não estão mais em circulação, como fichas de telefone, por exemplo.

De acordo com o vereador Reimont (PT-RJ), um dos autores do Projeto de Lei 779/2010, a medida corrige defasagens para organizar o comércio de camelôs.

O projeto também mantém o limite no número de ambulantes autorizados a utilizar o espaço público em 18.400 — hoje, o Rio tem 12 mil ambulantes cadastrados.

A distribuição dos vendedores na cidade vai seguir, segundo Reimont, os estudos de zoneamento realizados pelo município.

Os donos de barraquinhas de comida, a partir de agora, vão precisar frequentar um curso de manipulação de alimentos oferecido pela Vigilância Sanitária.

A atualização do projeto não altera, no entanto, a exigência das notas fiscais : todos os camelôs deverão apresentar o documento. A prática ajuda a coibir a comercialização de produtos roubados.

A atualização da proposta regulariza a venda de produtos, que antes eram proibidos, como churros, tapiocas e crepes, além daqueles relacionados ao mercado de tecnologia, como mouses e fones de ouvido.

Por outro lado, vendedores de cerveja estão proibidos de vender garrafas de vidro, podem comercializar apenas latinhas.
— Não estamos autorizando a vender doce em porta de padaria ou roupas em porta de loja. A revisão da lei do ambulante é urgente. Muita coisa mudou de 1992 para cá, o que vem gerando muitas distorções — explicou Reimont.

O projeto recebeu 27 emendas e envolveu, além de técnicos da prefeitura, representantes do comércio ambulante.

Fonte : Jornal Extra