Acolhimento familiar transforma espera pela adoção de crianças

novembro 16, 2016 por · Comments
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Acolhimento familiar transforma espera pela adoção de crianças

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O Jornal Nacional mostra exemplos que podem ajudar a melhorar a vida das crianças e jovens que vivem em abrigos no Brasil.

Como, para muitos, a adoção é um sonho distante, existem outros caminhos que podem dar a esses brasileirinhos a chance de ter uma família.

Uma bebezinha, de apenas seis meses, estava em situação de risco. Teve que ser afastada temporariamente da família. Mas o local que ela está não parece em nada com um abrigo. É o chamado acolhimento familiar.

A Márcia e o Alberto toparam receber a bebê em casa, por um tempo, até que a situação dela se resolva. Eles não querem adotar, mas ajudam no que for preciso.

“Se a gente fizer um trabalho com muito cuidado, com muito afeto, com muito carinho quando ela for embora, ela possa seguir o caminho dela fortalecida e com uma base mais sólida”, diz a decoradora.

Quem trabalha com acolhimento diz que a troca do abrigo por uma família transforma o futuro dos bebês.

“Tem uma pesquisa que pra cada ano que um bebê fica acolhido numa instituição ele perde quatro meses do seu desenvolvimento. E por isso a ideia dele ser prioritário quando pensamos em primeira infância”, explica a coordenadora do Instituto Fazendo História, Isabel Penteado.

Esse modelo é elogiado, vem crescendo no Brasil, mas ainda pouco usado.

O país tem hoje mais de 34 mil crianças e adolescentes em abrigos e só pouco mais de 1,6 mil em acolhimento familiar.

Agora o Ministério da Justiça está fazendo uma consulta pública, ele quer mudar pontos da lei de adoções e um desses pontos é justamente o acolhimento familiar. Para esse caso, a proposta é que ele seja prioritário para crianças de até 6 anos.

A juíza Mônica Arnoni acha que o acolhimento familiar não deve ser limitado. “Embora não tenha uma proibição pra serem crianças maiores de 6 anos, tem uma preferência. Quando a gente pensa em acolhimento familiar, a gente também pensa em proporcionar aquela criança que não vai ter chances de viver no seio de uma família essa vivência”, comenta a juíza.

Também há a proposta de oficializar uma prática que já existe em vários estados : o apadrinhamento de crianças e adolescentes dos abrigos.

A Clarice é madrinha de um jovem de 17 anos. Acompanhamos o dia em que ela foi levar o afilhado pra fazer a prova do Enem.

Os padrinhos normalmente levam as crianças e jovens pra casa nos finais de semana, fazem passeios e conversam bastante.

“Meu papel como madrinha é de uma amiga mais velha, uma presença constante, não tem absolutamente nada a ver com adoção. Eu quero ser amiga dele pra sempre”, afirma.

Agora, voltando ao acolhimento familiar, talvez você tenha ficado com uma dúvida. Como é que faz pra devolver um bebê depois de passar meses ou talvez um ano com ele ?

A Márcia responde: “A gente está fazendo tudo pra que esse período de tempo seja o melhor possível, o melhor cheio de amor, cheio de afeto, cheio de atenção, de proteção. Então, acho que esse sentimento de saudade ele acaba ficando em segundo plano, porque essa coisa do bem querer que a gente tem por ela e que a gente vai sentir que a gente conseguiu realizar é muito maior do que a saudade que ela vai deixar”.

Fonte : Jornal Nacional – Rede Globo de Televisão

Novidades sobre adoção no Brasil

Novidades sobre adoção no Brasil

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J. procurava uma madrinha. Miracy Dantas, um afilhado. À procura de uma atividade voluntária, ela preencheu um cadastro na internet : queria acompanhar uma criança ou adolescente que precisasse de apoio.  Logo soube da história do adolescente que vivia em um abrigo, na época com 14 anos. “Ele tinha vontade de fazer várias coisas, mas achava que não teria chances. Tive uma intuição que poderia mostrar como ele é capaz”, diz. Ela passou a encontrá-lo a cada 15 dias. Hoje, passam fins de semana e feriados juntos e dividem as novidades por mensagens. “As pessoas dizem que somos parecidos”, diverte-se. “Quero acompanhá-lo para sempre.” Histórias como essa são parte da rotina de alguns abrigos: “padrinhos” que, cadastrados em projetos e na Justiça, convivem com crianças e adolescentes que vivem ali.

Embora estimulados em alguns municípios, programas de apadrinhamento afetivo não são reconhecidos no ECA (Estatuto da Criança e Adolescente). Agora, o governo quer oficializar a prática como opção de “referência afetiva”.

A possibilidade consta de anteprojeto de lei formulado pelo Ministério da Justiça e colocado em consulta pública.

Hoje, cerca de 36 mil crianças estão em abrigos no país, segundo dados de um censo do governo federal de 2014. Não há estimativa oficial sobre o número de projetos de apadrinhamento.

Em geral, as iniciativas são voltadas a crianças com maior tempo de acolhimento e poucas chances de adoção. “Ainda que não sejam adotadas, são crianças que vão crescer e formar suas famílias. Precisam ter referência de como se vive fora da instituição”, afirma a psicóloga Maria da Penha, coordenadora do apadrinhamento afetivo da ONG Aconchego, em Brasília.

Na entidade, interessados em ser padrinhos têm palestras e cursos. Os encontros e contatos ocorrem, no mínimo, a cada 15 dias –estratégia para formar vínculos.”A ideia do apadrinhamento não é só lazer, mas ajudar no projeto de vida”, diz. “É ter uma pessoa com quem a criança ou adolescente possa conversar e trocar conselhos.”

É o caso da professora Elizete de Souza, 46, e do afilhado G., 16. O primeiro encontro foi na sala de recepção do abrigo. Tímido, o garoto, com 14 anos à época, respondia com poucas palavras. “Parecia que eu estava fazendo um interrogatório.” Na segunda tentativa, levou-o para almoçar. Ele retribuiu com um convite para a festa junina da instituição. Hoje, G. tem um quarto na casa da “Dinha”.

“Ele me conta tudo. Também brigo quando preciso e chamo a atenção. Tenho ele como filho que mora em casa separada”, diz Elizete, que aprova a iniciativa de “oficializar” o apadrinhamento.”Sinto falta do amparo da lei.”

A proposta também tem pontos não consensuais. O projeto inicial permite que interessados em adotar possam ser padrinhos. Isso costuma ser vedado nos programas de apadrinhamento, para evitar que interessados em adotar “furem” a fila do cadastro nacional ou que o apadrinhamento seja apenas um “teste” ou “escolha” para adoção.

“Quem está na adoção procura um filho. É muito difícil que queira ser padrinho. A criança percebe essa diferença e percebe que está sendo testada”, diz Penha. “O apadrinhamento é um vínculo diferente do de ser pai e mãe”.

Já a assistente social Maria Inês da Silva diz ver espaço para discutir uma mudança. “Já há casos em que, com o vínculo, padrinhos entram com pedido de guarda de crianças já fora da idade [mais provável] para adoção”, diz.

Fonte : Folha de S.Paulo

Comissão analisa mudança na regra de idade para adoção de crianças

Comissão analisa mudança na regra de idade para adoção de crianças

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A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) deve analisar o projeto de lei do Senado (PLS) 531/2013, que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para permitir que apenas um dos adotantes, em caso do pedido ser feito por casal, atenda ao requisito de idade : ser 16 anos mais velho do que o adotado. Atualmente, ambos precisam cumprir essa regra.
Já aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), a proposta tem como objetivo impulsionar as adoções no país, tendo em vista o número de crianças e adolescentes nos abrigos. O projeto, do ex-senador Vital do Rêgo, é relatado pelo senador Magno Malta (PR-ES), que defende a aprovação, com duas emendas.
Fonte: Agência Senado