Mudança em tarifa de ônibus é criticada

março 7, 2018 por
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Mudança em tarifa de ônibus é criticada

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A proposta do prefeito Marcelo Crivella de criar tarifas diferentes para ônibus com e sem ar-condicionado foi criticada ontem por especialistas em transportes, que classificaram a medida como confusa, além de promover um retrocesso no sistema. A prática havia sido abolida pelo município em 2013. Crivella, no entanto, acredita que a população “vai aplaudir” se o aumento no preço das passagens municipais, de R$ 3,60 para R$ 4, for anunciado só para os veículos refrigerados. Ele acredita que essa é uma forma de pressionar as empresas para que climatizem toda a frota.

— Precisamos recompensar aqueles que investiram no “frescão”. A população vai aplaudir se (o aumento) for para o “frescão”. Mas não vai entender se der aumento para “quentão” renitente, que não deixa de ser “quentão” nunca — disse o prefeito.

Para o presidente da Comissão de Trânsito da OAB-RJ, Armando de Souza, a diferenciação na tarifa seria um retrocesso ao direito conquistado pelo passageiro :

— Além disso, essa proposta da prefeitura contraria o próprio Código de Trânsito Brasileiro, que fala em segurança e conforto. As condições de trabalho do motorista, diante do calor no Rio, não garantem a segurança no serviço — diz Souza, acrescentando que não é razoável fazer distinção entre quem será transportado de forma confortável ou não :

— O prefeito, ao sugerir a modificação, contraria direitos conquistados e demonstra preconceito em relação a quem não pode pagar mais caro.

Professor de Engenharia de Transporte da PUC-Rio, José Eugênio Leal acredita que a tarifa pode estimular melhorias no setor, mas confundirá o passageiro :

— O ideal seria uma tarifa que equilibre o conjunto dos ônibus, lembrando que as empresas deveriam ter climatizado toda a frota para a Olimpíada — diz Leal, que tem uma preocupação :

— O poder público já não tem controle do que é arrecadado hoje. Vai complicar um pouco mais.

De acordo com a Secretaria municipal de Transportes, a frota do município tem 7.335 veículos, sendo 3.023 (41,2%) ainda não são refrigerados. Quem enfrenta a realidade nas ruas critica a proposta.

— É um absurdo. O certo é unificar a tarifa e o serviço. As empresas que não investem na melhoria de sua frota vão continuar não investindo — acredita o professor de Geografia, Luiz Gustavo dos Santos Chrispino.

Fonte : O Globo

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