Cobrança de bagagem é preocupação até na rodoviária

agosto 20, 2018 por
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Cobrança de bagagem é preocupação até na rodoviária

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O psicólogo Glleydson Ledson, de 38 anos, viajava com amigos do Amazonas para Minas Gerais, na última sexta-feira, quando foi surpreendido ao descobrir que poderia ter de pagar uma taxa na rodoviária do Rio devido ao peso de sua bagagem. Eles iam participar do Miss Brasil Gay, concurso que acontece em Juiz de Fora, elevavam vários volumes, com muitas fantasias :

— Viemos até o Rio de avião e tivemos que pagar R$ 350 por causa das malas à companhia aérea. Não sabia que também havia cobrança no transporte rodoviário. Mas, por sorte, o que estamos levando não ultrapassou o peso permitido.

Apesar de as bagagens em viagens rodoviárias serem reguladas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) desde 2002, muitos passageiros ainda são surpreendidos com as regras. Cada viajante pode levar até 30 quilos no bagageiro do ônibus, em volumes de, no máximo, um metro de dimensão. No interior do veículo, é permitido acomodar malas pequenas, que não ultrapassem o total de cinco quilos por pessoa. Para cada quilo excedente, pode ser cobrado até 0,5% do preço da passagem. Para aferir o peso da bagagem, é preciso que a empresa de ônibus disponha de balança no local.

Na Rodoviária Novo Rio, na capital fluminense, as viações Útil, Brisa, Sampaio, Gontijo, Kaissara, Itapemirim, Rio Doce e Penha têm o equipamento e fazem a pesagem. Já a 1001 e a Cidade do Aço não fazem a aferição porque “as linhas cobrem curtos trajetos e excessos de bagagem são raros”.

Hugo Lima, diretor técnico do Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Rio de Janeiro (Ipem/RJ), explica que o órgão faz inspeções periódicas nas rodoviárias para verificar se as balanças estão funcionando corretamente.

— Independentemente da verificação anual, realizamos blitzes periódicas nas rodoviárias de todo o estado, durante todo o ano, para garantir os direitos dos consumidores —comentou Hugo Lima.

Os passageiros que suspeitarem de irregularidades, no entanto, podem procurar a Ouvidoria do Ipem, que funciona de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h, pelo telefone 0800 2823040.

Indo para Paragominas, no Pará, a técnica de enfermagem Luzia Márcia disse não concordar com a cobrança, apesar de os limites de peso serem bem maiores do que em viagens aéreas :

— Eu não acho isso certo. A passagem já é muito cara e ainda querem colocar outro valor em cima. Se for algo absurdo, como um móvel, tudo bem. Mas cobrar por bagagem, eu não concordo.

A ambulante Gilmara dos Santos, de 40 anos, que estava indo de férias para Goiânia pela viação Útil, teve uma despesa imprevista, porque levava uma televisão e um rádio :

— Eles queriam me cobrar R$ 120. Mas eu não tinha esse dinheiro. Negociei na cabine e consegui pagar só R$ 80.

O transporte de eletrodomésticos não é caracterizado como bagagem, mas, sim, como encomenda, não sendo regulamentado pela ANTT. Dessa forma, cada companhia pode cobrar valores diferentes pelo frete. Em caso de problemas coma baga gemou coma encomenda, como dano sou extravio, o passageiro deve fazer uma reclamação à viação no local de desembarque, em formulário próprio fornecido pelas empresas. Para isso, é importante guardar os comprovantes dos volumes transportados. Comprovado o problema, explica a ANTT, as empresas rodoviárias são responsáveis por indenizar os clientes no prazo de 30 dias a partir da data de reclamação. A indenização é calculada de acordo com a tarifado serviço convencional, podendo chegara até três mil vezes o coeficiente tarifário,par acasos de danos, e a dez mil vezes o coeficiente tarifário, se houve extravio.

Se não houver acordo ou atraso no pagamento, o passageiro pode fazer uma denúncia à Ouvidoria da ANTT — pelo telefone 166, pelo e-mail ouvidoria@antt.gov.br ou nos pontos de atendimento da agência nas principais rodoviárias do país — ou ainda registrar uma reclamação no Procon.

Fonte : O Globo

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