Clonagem de cartão de crédito é a fraude mais comum no país

Clonagem de cartão de crédito é a fraude mais comum no país

Em 12 meses, fechados em março de 2019, quase 9 milhões de brasileiros foram vítimas de fraude. Desse total, 3,65 milhões de pessoas, o que corresponde a 41%, tiveram seus cartões de crédito clonados, aponta pesquisa feita pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

A expansão do comércio online, a ampliação do uso de aplicativos, a disseminação de links maliciosos por email e redes sociais e a proliferação de “maquininhas” ligadas a redes Wi-Fi são algumas das explicações para que a clonagem de cartão de crédito seja hoje a fraude mais comum no país.

— A clonagem prejudica o consumidor, que enfrenta burocracia para provar que aquela compra não é sua e, algumas vezes, acaba arcando com o custo. E também traz perdas ao comércio, quando a operadora do cartão não paga pela compra ou aumenta a sua taxa de administração pelo crescimento do número de fraudes —ressalta Noilton Pimentel, gerente do bureau de crédito do SPC, informando que aumentou para 11% a clonagem de cartões de débito.

Segundo o Raio-X da Fraude 2018, da consultoria Konduto, no ano passado houve uma tentativa de fraude a cada 6,5 segundos no e-commerce brasileiro. Gerson Rolim, conselheiro do Observatório de Gestão de Fraude da Camara-e.net, diz que os phishings — golpes criados a partir da engenharia social, que usam atrativos para o consumidor clicar em links maliciosos — são a principal estratégia usada pelos criminosos para clonar dados.

— O Brasil está no topo do ranking quando se fala em phishing. A ordem é nunca clicar em links enviados por e-mail ou redes sociais. Desconfie de ofertas mirabolantes. Sempre abra a página oficial da empresa e confira, clicando no cadeado, se as informações batem com a instituição que você procura. Nas transações feitas em sites oficiais, o risco de clonagem é baixo —afirma.

A jornalista Thalyta Mitsue, de 24 anos, teve dois cartões clonados em menos de quatro meses. Da primeira vez, em novembro passado, foi avisada pelo aplicativo do banco sobre uma série de tentativas de compras incompatíveis com seu perfil. Em fevereiro, durante uma viagem a Foz do Iguaçu, no Paraná, foi surpreendida comum alerta sobreuma compra de R $1.700 e te vede encurtara viagem :

— Planejava continuar a viagem até o Paraguai par afazer compras, mas tive que cancelar o cartão de lá mesmo, encurtei o passeio e voltei para casa — lamenta Thalyta, que, apesar de ter sido ressarcida, passou a usar apenas o cartão virtual, no qualé gerado um número acada compra on-line para evitar fraudes.

A engenheira Thaís Almeida, de 41 anos, também adotou a mesma política de uso de cartões virtuais após ser vítima de clonagem. Em 2015, durante uma viagem a Bonito, no Mato Grosso do Sul, foi notificada de uma compra de R$ 200 em uma loja em São Paulo. Este ano, o crime se repetiu com outro cartão, este no nome de seu marido. Ela acredita que os dados foram roubados ao pagar um lanche em Macaé, onde moram :

— Estranhamos que o atendente demorou muito com o cartão na mão, mas deixamos para lá. Logo depois, vimos que tinha sido feita uma compra de R$ 300 pela internet. De fato, para compras on-line, só se precisa ter em mãos o nome do consumidor, o número e o código de segurança escrito do cartão. Para evitar que a fraude se repita, ela adotou uma medida simples :

—Colei uma fita adesiva colorida sobre o código de segurança para impedir que alguém tente copiá-lo — conta, ressaltando que o banco ressarciu os prejuízos.

O adesivo adotado pela engenheira é uma das medidas recomendadas pela economista Ione Amorim, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) : — Além disso, o consumidor não deve se afastar do cartão e precisa sempre conferir, quando for entregue, se aquele é mesmo o seu. Pela praticidade, abrimos mão da segurança, por exemplo, ao fazer pagamentos em maquininhas ligadas a redes Wi-Fi, o que nos deixa muito mais expostos. É uma operação que deve ser evitada.

Consultada, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) afirmou que o sistema de pagamento eletrônico do país é um dos “mais evoluídos do mundo, principalmente no âmbito da segurança”.

A entidade acrescenta que as empresas do setor investem em tecnologias que monitoram em tempo real os comportamentos de uso dos cartões e detectam possíveis compras indevidas. A Abecs ainda mantém um comitê dedicado ao aprimoramento da segurança.

Fonte : O Globo

Comentários