Hoje termina o prazo do Imposto de Renda

Hoje termina o prazo do Imposto de Renda

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Quem ainda não entregou a declaração do Imposto de Renda tem até as 23h59 de hoje para enviar o documento à Receita Federal.

O contribuinte que perder o prazo pagará multa mínima de R$ 165,74, mais 1% sobre o imposto devido a cada mês que passar, limitado a 20% do tributo.

Para preencher a declaração, é preciso baixar o programa IR 2017, disponível no site do Fisco.

Quem estiver com dificuldade para terminar a declaração precisa ficar atento para não cair na malha fina :
— Para não correr esse risco, a orientação é enviar a declaração zerada, sem informação nenhuma, só para não pagar multa. Depois, o contribuinte deve reunir as informações o mais rapidamente possível e enviar uma retificadora — afirma Samir Nehme, vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro.

Qualquer erro pode ser corrigido antes do fim do prazo, seja a respeito de valores declarados, dependentes ou deduções.

Para retificar, deve-se seguir o mesmo processo da declaração comum, mas informar no campo “Identificação do Contribuinte”, que será uma retificadora.

Fonte : Jornal Extra

Maioria dos deputados aprova texto base da Reforma Trabalhista

Maioria dos deputados aprova texto base da Reforma Trabalhista

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O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, por 296 votos a 177, o substitutivo do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) para o projeto de lei da reforma trabalhista (PL 6787/16, do Poder Executivo).

Segundo o substitutivo, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o acordo coletivo prevalecerá sobre a lei e o sindicato não mais precisará auxiliar o trabalhador na rescisão trabalhista.

A contribuição sindical obrigatória é extinta.

O acordo e a convenção prevalecerão sobre a lei em 15 pontos diferentes, como jornada de trabalho, banco de horas anual, intervalo de alimentação mínimo de meia hora, teletrabalho, regime de sobreaviso e trabalho intermitente.

Poderão ser negociados ainda o enquadramento do grau de insalubridade e a prorrogação de jornada em ambientes insalubres, sem licença prévia do Ministério do Trabalho.

Devido ao fim do período regimental da sessão, os deputados realizarão outra em seguida para começar a votar os destaques apresentados ao texto.

Fonte : Câmara Notícias

Sindicato de professores das escolas particulares adere à greve

Sindicato de professores das escolas particulares adere à greve

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O Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), que representa os profissionais que atuam em escolas particulares, decidiu aderir à greve geral de sexta-feira, dia 28 de abril.

A paralisação foi convocada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras centrais sindicais contra as reformas trabalhista e previdenciária do governo do presidente Michel Temer.

“Nem sempre é uma discussão fácil, mas muito necessária e que está surtindo efeito. Levantamento preliminar indica que já está confirmada a paralisação em cerca de 100 escolas. Esse número vai aumentar até o dia 28”, diz comunicado no site do sindicato.

Nos últimos dias, os professores estão fazendo trabalho de mobilização, que envolve visitas às escolas e distribuição de adesivos e camisetas.

De acordo com o Sinpro-SP, quatro carros de som percorrem todas as zonas da cidade informando sobre a paralisação das atividades.

Para o Sinpro-SP, a greve é “um direito constitucional e um ato legítimo de uma categoria que é muito diversificada, mas encontrou unidade na luta em defesa das aposentadorias e dos direitos trabalhistas”.

O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), que representa as escolas particulares da cidade, repudia a adesão dos professores à greve.

Já o sindicato das escolas se diz a favor das reformas, que “devem ser implementadas para colaborar com o desenvolvimento do País”.

“O movimento é apenas uma manifestação da CUT e seus sindicatos afiliados em defesa de seus interesses e causas políticas. Os professores da rede particular de ensino que se posicionarem a favor do movimento poderão ter seu dia de trabalho descontado da folha de pagamento”, informa o Sieeesp em seu site.

O presidente da Sieeesp, Benjamin Ribeiro, finaliza o comunicado dizendo que um posicionamento contrário ao do sindicato fica sob responsabilidade dos estabelecimentos de ensino.

Além de São Paulo, professores de outros estados também irão paralisar as atividades, como os docentes do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Alagoas.

Fonte : Veja

Imposto sindical é alvo principal de emendas

Imposto sindical é alvo principal de emendas

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O relator da reforma trabalhista, deputado Rogério Marinho (PSDB/RN), recebeu ontem uma enxurrada de emendas que tentam modificar o texto do seu relatório.

Foram pelo menos 450 sugestões de mudanças protocoladas, sobretudo, pela oposição.

O relator disse que pretende aceitar algumas das emendas que melhorem e tornem mais claro o texto, mas já adiantou que não pretende mexer “nem um milímetro” no que diz respeito ao fim da obrigatoriedade do imposto sindical.

O próprio ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, afirmou que o governo vai respeitar a soberania do Congresso nessa questão.

— O que não vou fazer é desfigurar o texto — disse.

A maior parte das emendas mexe em quatro pontos principais : o fim da obrigatoriedade do imposto sindical; a jornada intermitente; a permissão para mulheres lactantes ou gestantes trabalhem em ambientes insalubres com autorização médica e a criação de uma comissão para representar os trabalhadores dentro da empresa.

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, disse que o governo vai respeitar a decisão do Congresso sobre o fim do imposto sindical.

Ele já defendeu publicamente a manutenção da contribuição sindical da forma como é cobrada hoje. Por hora, o Palácio do Planalto evita se posicionar sobre o tema, alegando que a questão está com o Legislativo.

O discurso dos parlamentares é que o fim do imposto sindical obrigatório vai deixar mais dinheiro na mesa do trabalhador. Até quem está contra a medida admite, nos bastidores, que Michel Temer teria dificuldade de vetar, porque o imposto é impopular.

Fonte : Jornal Extra

 

Riocard suspende cartões por fraude

Riocard suspende cartões por fraude

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Os equipamentos de biometria facial em implantação nos ônibus começaram, na semana passada, a registrar fotografias dos usuários do Bilhete Único Intermunicipal (BUI) que embarcam em coletivos da capital e da Baixada Fluminense.

Com a medida, a RioCard já pode começar a suspender os benefícios tarifários dos cartões que não forem usados pelos verdadeiros titulares.

O processo de reconhecimento facial é feito, inicialmente, com as imagens registradas no primeiro embarque como sendo do dono do benefício, já que os titulares do BUI não têm fotos em seus cadastros na RioCard.

Se nos próximos acessos o portador for diferente daquele fotografado na primeira ocasião, será constatado o uso irregular.

O BUI é um programa social financiado com subsídio diário de R$ 1,5 milhão pelo governo estadual.

O diretor da RioCard, Carlos Silveira, ressalta que o controle é importante para evitar fraudes e garantir a continuidade do benefício para cerca de 5 milhões de pessoas, tendo em vista que o estado realiza ajustes financeiros devido à crise.

“Muitos fraudadores ganham dinheiro vendendo passagem de Bilhete Único Intermunicipal em pontos de ônibus. Além de o sistema ter evasão de receita, o governo do estado está pagando pelo fraudador que recebeu um dinheiro não lícito”.

Com base no decreto estadual 45.749, de setembro de 2016, que regulamenta a lei do controle biométrico, emprestar o cartão a outras pessoas pode agora gerar suspensão dos descontos garantidos com o bilhete em viagens intermunicipais.

Em casos de divergência, o cartão continuará funcionando. Mas, cinco dias úteis após a constatação do uso indevido, os benefícios tarifários serão suspensos.

O titular deverá, então, comparecer a uma loja da RioCard para atualizar o cadastro e regularizar a situação.

O decreto prevê punições progressivas, como suspensão por 60 dias e cancelamento definitivo do benefício, em caso de reincidência após a reativação.

A biometria facial foi implantada em setembro, mas até a semana passada vinha identificando apenas usos irregulares dos benefícios de gratuidade, cujos cadastros já possuíam fotos 3×4 — o BUI ainda não estava sendo monitorado porque não possuía fotos cadastradas.

Até 19 de abril, 43.454 cartões de gratuidade foram cancelados em meio a 65.771 transações com fraudes.

De acordo com a RioCard , 30% dos 2 milhões de transações diárias de gratuidades são de uso indevido.

Segundo Carlos Silveira, cerca de 300 ônibus da capital e da Baixada Fluminense já estão registrando o controle biométrico do BUI.

Esta semana, um terço dos 22.500 ônibus do estado estarão fazendo esse monitoramento, e depois toda a frota.

A tecnologia é custeada pelas empresas, sem ônus para o governo. Barcas, trens e metrô também serão incluídos no processo.

Um convênio com o Detran, previsto para maio, permitirá que fotos dos documentos de identidade sejam atribuídas aos cadastros do BUI.

Com isso, as imagens capturadas na primeira fase do controle biométrico serão substituídas.

Após essa integração, os titulares serão comunicados do uso indevido por meios eletrônicos e nos validadores dos ônibus.

Será solicitado, então, um autocadastro por aplicativo grátis que poderá ser baixado em celulares e computadores.

Nesse autocadastro, o dono do cartão fará selfie para comprovar que é ele mesmo. Se a divergência permanecer, será chamado à loja física.

Fonte : O Dia

 

Domésticas enfrentam problemas no eSocial para se aposentar

Domésticas enfrentam problemas no eSocial para se aposentar

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O que era para ser um facilitador na vida de domésticas e empregadores, ainda é motivo de transtorno e dor de cabeça.

O programa eSocial, criado para agilizar serviços, principalmente, a concessão de aposentadorias das empregadas, continua com os mesmos problemas desde a implementação em outubro de 2015.

Entre eles, o de não registrar dados das trabalhadoras com carteira assinada no Cadastro Nacional de Informação Social (CNIS) do INSS.

Há um ano, O DIA detalhou a falta de sincronização dos sistemas.

O desencontro de informações pode levar a atrasos, principalmente, quando a doméstica vai dar entrada na aposentadoria na agência da Previdência Social.

Com a falha de comunicação entre os sistemas da Receita Federal e do INSS, os dados das contribuições previdenciárias mensais feitas pelos patrões não aparecem na hora da concessão do benefício.

Ou seja, resulta em confusão para as trabalhadoras que esperam pela aposentadoria.

Há também complicações para quem for sacar o FGTS.

Lançado em 2015, o eSocial é uma plataforma que reúne em um único sistema as contribuições fiscais, trabalhistas e previdenciárias que devem ser recolhidas pelos empregadores.

Para a emissão do Documento de Arrecadação (DAE), o empregador deve acessar a página do eSocial.

O presidente do Instituto Doméstica Legal, Mario Avelino, diz que as falhas no programa são problema recorrente. “Isso já se estende há 17 meses e é inaceitável que um transtorno como esse continue acontecendo”, reclama.

A presidente do Sindicato das Domésticas do Município do Rio, Carli Maria dos Santos, orienta que as domésticas guardem todos os recibos do e-Social pagos pelos patrões para apresentar no INSS na hora de dar entrada da aposentadoria.

“É um problema constante e que parece que não tem desfecho. É fundamental guardar os documentos. Muitas domésticas nos contam que o recolhimento não consta no sistema do INSS. A pessoa precisa levar os recibos e apresentar”, afirma.

O Instituto Doméstica Legal entrou com representação no Ministério Público Federal contra a Receita para integrar o eSocial ao INSS em 6 de março.

Fonte : O Dia

Alerj aprova lei que retira pardais de locais de risco

Alerj aprova lei que retira pardais de locais de risco

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A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou ontem, por unanimidade, o projeto que determina o desligamento e retirada de todos os pardais e lombadas eletrônicas localizados em áreas consideradas de risco no Rio de Janeiro.

O autor do projeto, Díonisio Lins (PP), acredita que a atual distribuição dos medidores é ineficiente e coloca em perigo motoristas, que são obrigados a diminuir a velocidade em regiões com alto índice de assaltos.

São cerca de 1.200 radares para medir velocidade no município do Rio.

— Temos que acabar com a indústria da multa. Eles colocam esses pardais estrategicamente em locais onde as pessoas têm medo da violência e resolvem não parar, ficando à mercê de multas. É uma escolha cruel, ou você aceita correr o risco da multa ou é assaltado — diz Lins.

O projeto prevê como primeiro passo fazer mapear os pardais e as lombadas eletrônicas do estado, junto com o Instituto de Pesos e Medidas ( Ipem-RJ), levantando quais geram mais multas.

Depois, em parceria com a Secretaria de Segurança, os índices de violência serão analisados para determinar quais são as áreas de risco, de onde os medidores devem ser retirados.

Em comparação com fevereiro do ano passado, foram registrados no estado mil roubos de carro a mais em 2017. Foram 4.287 furtos de veículos neste ano, sendo 1.500 na capital, contra 3.056 em 2016.

Fonte : Jornal Extra

 

Governo não obtém urgência para reforma trabalhista

Governo não obtém urgência para reforma trabalhista

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O governo sofreu ontem uma derrota importante e não conseguiu aprovar um requerimento de urgência no plenário da Câmara para acelerar a votação da reforma trabalhista.

Eram necessários 257 votos favoráveis, mas só foram registrados 230.

O objetivo era aprovar a urgência para conseguir votar o projeto na comissão especial até amanhã e analisá-lo em plenário na semana que vem.

Sem a urgência, no entanto, a proposta tem de esperar cinco sessões — um prazo para emendas e vistas — para ser votada na comissão especial.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tentou costurar um acordo com a oposição para permitir que a urgência fosse votada.

O argumento dos deputados era que, com a urgência, o projeto não poderia sofrer emendas e passaria da maneira como havia sido enviado pelo relator.

Rodigo Maia sugeriu, então, abrir a possibilidade de emendas até as 17h de hoje. Mas não teve sucesso.

Após a votação, Rodrigo Maia ressaltou que o quórum havia sido baixo e que, a qualquer momento, outro líder pode apresentar novamente o mesmo requerimento de urgência :
— A votação ocorreu com quórum baixo e eu encerrei a votação no momento errado. Se for apresentado outro requerimento, pode ser votado a qualquer momento.
A base do governo já se articula para apresentar um novo requerimento de urgência hoje.

Com a derrota na Câmara, o presidente Michel Temer se reuniu, ontem à noite, com o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, para definir a estratégia de atuação nos próximos dias. Imbassahy deve conversar com os líderes do governo na Câmara ainda hoje e tentar votar novamente o requerimento de urgência. Segundo assessores do presidente, Michel Temer quer superar a questão o mais rapidamente possível.
— É sempre ruim (o resultado), mas é superável. Amanhã é outro dia — afirmou um interlocutor do governo.

No Palácio do Planalto, a avaliação é que havia número suficiente de deputados da base na Casa, mas que a votação teria sido muito rápida — cerca de 16 minutos — o que, alegam, pode ter inviabilizado a chegada dos parlamentares ao plenário.

Na reunião de ontem, Temer e Imbassahy identificaram as bancadas infiéis da base, sendo os casos mais flagrantes os votos contrários vindos do PSB e do PPS, partido do relator da reforma da Previdência, Arthur Maia (BA).
— Vai ter “DR” amanhã — afirmou um assessor do Planalto, usando a metáfora de “discutir a relação” entre casais.

Apesar da preocupação, o governo minimizou a derrota em plenário e acredita que isso não atrapalhará a reforma da Previdência. Interlocutores admitem, no entanto, que é preciso mais conversas com os deputados da base :
— Depois do café da manhã (com a base, sobre a Previdência), acho que faltou almoço e jantar para continuar alimentando o pessoal — brincou uma pessoa próxima ao presidente.

Durante a sessão, a mesa da presidência foi tomada por deputados do PSOL, com cartazes em protesto às denúncias envolvendo vários parlamentares nas delações da Odebrecht.

Fonte : O Globo

Governo e relator da Previdência avaliam reduzir tempo mínimo de contribuição das mulheres

Governo e relator da Previdência avaliam reduzir tempo mínimo de contribuição das mulheres

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O governo e o relator da reforma da Previdência na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), estudam diminuir o tempo mínimo de contribuição exigido para as mulheres se aposentarem.

A redução seria uma forma de “compensar” a demanda da bancada feminina no Congresso Nacional para reduzir a idade mínima de aposentadoria das mulheres.

A compensação foi discutida durante reunião nesse domingo, 16, entre o presidente Michael Temer, o relator, técnicos e líderes no Palácio da Alvorada.

De acordo com o presidente da comissão da reforma da Previdência, Carlos Marun (PMDB-MS), a redução do tempo mínimo de contribuição das mulheres “foi uma das opções colocadas”. “Mas ainda não foi batido o martelo”, disse ao Broadcast Político.

Segundo outro parlamentar a par das negociações, uma das alternativas estudadas seria reduzir o tempo mínimo de contribuição das mulheres pra 23 anos, mantendo a idade mínima para aposentadoria em 65 anos, como previsto para homens.

Pelo texto original, homens e mulheres teriam de contribuir por pelo menos 25 anos para ter direito à aposentadoria do INSS.

A bancada feminina pressiona o relator e o Palácio do Planalto a reduzir a idade mínima das mulheres para 60 anos. “Ou no máximo 62 anos”, disse a coordenadora da bancada, deputada Soraya Santos (PMDB-RJ).

A equipe econômica, porém, é contra. No governo, fala-se que a redução só será usada, se necessário, como cartada final durante a votação da reforma no plenário da Câmara.

O parecer final do relator deve ser lido nesta terça-feira na comissão especial da Câmara.

Antes disso, o presidente Michel Temer pretende apresentar o conteúdo do relatório durante café da manhã também na terça-feira. A previsão do presidente do colegiado é de que a votação do parecer ocorra na comissão na última semana de abril.

Fonte : O Estado de S.Paulo

 

Fraudes na previdência rural

Fraudes na previdência rural

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Um dos itens da reforma da Previdência que mobilizaram muitos parlamentares — especialmente das bancadas do Nordeste, onde tem grande peso eleitoral — a aposentadoria rural responde, hoje, por mais da metade do rombo do regime geral de Previdência (INSS).

Isso para pagar pouco mais de um terço dos 23 milhões de beneficiários. Acolhida pela Constituição de 1988, a modalidade virou alvo de fraudes. Nos últimos quatro anos, foram cancelados 37.012 benefícios irregulares, envolvendo a soma de R$ 406,5 milhões, segundo dados inéditos das Secretaria de Previdência, que consideram valores pagos indevidamente e a economia com gastos futuros.

No período, foram realizadas 27 operações no campo pela força-tarefa, uma parceria da Polícia Federal com o Ministério Público. Numa única missão foram detectados 290 benefícios irregulares, dos quais 260 eram rurais.

A fragilidade e o alto grau de subjetividade das provas que o trabalhador pode apresentar para comprovar a atividade no campo são apontadas como uma das fontes do problema. Além de documentos emitidos por órgãos públicos (Incra, Funai), registros em programas sociais do governo, contratos de parceria e bloco de notas de venda de produtos fazem parte do rol de provas documentais até certidões concedidas por igrejas (batizados, crisma e casamento), fichas de hospitais e postos de saúde, cartão de vacina, matrículas e boletins escolares dos filhos, inscrição em cooperativas e filiação sindical. Não é à toa que 30,2% das aposentadorias rurais concedidas foram decorrentes de ações judiciais, quase o dobro das obtidas nas áreas urbanas.

A aposentadoria rural começou a ser paga antes da Constituição de 1988. Ela começa com o Fundo de Assistência e Previdência do Trabalhador Rural (Funrural), criado na década de 1970, mas o benefício era de meio salário mínimo e a pensão era limitada a 30% do benefício principal.

Para facilitar o processo, a legislação permite que sindicatos de trabalhadores rurais deem declarações de filiados para atestar atividade no campo e, assim, conseguir a aposentadoria rural. As entidades têm convênios com o INSS para descontar de seus associados, diretamente no contracheque, a contribuição associativa. No ano passado, foram repassados aos sindicatos e confederações R$ 37,5 milhões de 2,1 milhões de aposentados sindicalizados, de acordo com dados do INSS.

Há entidades que costumam cobrar antecipadamente dos trabalhadores a contribuição associativa para conceder a declaração de exercício no campo. Uma vez aposentados, eles acabam pagando a taxa sindical pelo resto da vida.

Depois de passar a vida trabalhando nas terras da família, Jorge Lázaro dos Santos, de 60 anos, procurou uma agência do INSS em Brasília para dar entrada na aposentadoria. Ele conta que reuniu toda a documentação, como comprovante de residência, escolaridade dos filhos e notas fiscais da comercialização de produtos e procurou o sindicato para obter a declaração de atividade na área rural. Lá, teve de pagar taxa antecipada pelo documento. Segundo ele, caso consiga a aposentadoria, terá de pagar R$ 112 a cada seis meses para o sindicato :
— Na rural (aposentadoria), estão exigindo esse dinheiro aí, mas não acho justo. A gente já ganha uma mixaria, que só dá para os remédios.

Para receber a declaração, o trabalhador apresenta documentos mais simplificados que os exigidos diretamente no INSS. A declaração não é obrigatória para requerer a aposentadoria rural nem é garantia de que o pedido será deferido, uma vez que a análise do processo é competência do INSS.

Técnicos do governo afirmam que há entidades sérias e que a participação dos sindicatos no processo de obtenção da aposentadoria, bem como a permissão para desconto da contribuição sindical na folha, estão previstos na legislação em vigor. No entanto, as operações já identificaram fraudes envolvendo sindicatos. Os casos são repassados ao Ministério Público Federal para providências.

Entre as fraudes recorrentes estão falsificação de documentos de identidade, registro civil, documento de comprovação de atividade no campo, filiação a sindicatos e declarações falsas “com eventual participação de integrantes de sindicatos de trabalhadores rurais”, informou a Secretaria de Previdência. Elas são mais comuns nos benefícios de aposentadoria, pensão por morte e salário-maternidade. Há também a ação de quadrilhas especializadas. A força-tarefa identificou benefícios fraudados com empréstimos consignados. Se, por um lado, há brechas legais para fraudes, de outro há trabalhadores rurais que enfrentam problemas para obter o benefício. Burocracia, falta de informação e dificuldade para reunir provas são os maiores entraves.

É o caso de Maria da Conceição Pereira dos Santos, de 61 anos, que tenta a aposentadoria desde dezembro, mas não conseguiu iniciar o processo :
— Trabalhei com enxada, em plantação, criando galinha, olha os meus dedos como são calejados. Mas nunca foi de carteira assinada, e o patrão já morreu. Saí da roça, porque não estava aguentando mais e porque comecei a ter diabetes.

Acompanhando dona Maria, Otacílio Araújo recorreu à Defensoria Pública e aguarda a concessão da aposentadoria. Ele conta que trabalhou por 20 anos na roça, mas destes, só cinco foram de carteira assinada. Com o auxílio da Defensoria, ele conseguiu comprovar outros 15 anos trabalhados.

A aposentadoria rural é concedida aos trabalhadores (pequenos produtores e pescadores artesanais) aos 60 anos de idade (homem) e 55 anos (mulher). A legislação prevê contribuição correspondente a 2,1% da comercialização anual de produtos. Mas o recolhimento não é obrigatório.

Para requerer o benefício, é preciso comprovar o exercício de atividade rural por 15 anos, com documentos e até testemunhas, quando o caso vai para a Justiça.

O problema é que o governo não tem controle. Por isso, pretende criar na reforma da Previdência uma contribuição, correspondente a 5% do salário mínimo. O objetivo, segundo o assessor especial do Ministério do Planejamento, Arnaldo Lima, é criar um banco de dados para identificar e monitorar o histórico desses trabalhadores.
— O governo não conhece esses trabalhadores, fica sabendo da existência deles somente na hora em que o benefício é solicitado — disse Lima, acrescentando que, quando o beneficiário morre, a viúva tem que entrar na Justiça para receber a pensão.

Lima destacou que, mesmo após aprovada a reforma previdenciária, será preciso instituir lei para criar a contribuição dos segurados rurais. A reforma não vai retroagir, se o trabalhador já tiver exercido atividades no campo por dez anos, por exemplo, antes das mudança, ainda poderá atestar isso via documento e declaração. A aposentadoria rural continuará sendo subsidiada, porque o valor cobrado desses trabalhadores não cobrirá a despesa com a aposentadoria no futuro, principalmente diante do processo de envelhecimento da população.

O texto da reforma não vai alterar as regras para homens do campo, que poderão se aposentar aos 60 anos. Para os demais, a idade mínima depois da transição (de 20 anos) será de 65 anos para requerer o benefício. Para as mulheres da área rural, a idade subirá de 55 anos para 60 anos no fim do período. O governo aceita tempo menor de contribuição no campo para solicitar a aposentadoria, que poderá ser de 20 anos. Na regra geral, será de 25 anos. O tempo mínimo hoje para todos os trabalhadores é de 15 anos.

Fonte : O Globo

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